“O autismo nunca é leve”, relata mãe de adolescente atípico
Mônica Gonçalves, professora, atenta que condição neurológica, independente de seu grau, tem forte peso no desenvolvimento das crianças

Douglas Lima
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Mãe de um adolescente atípico, a professora Mônica Gonçalves, em entrevista ao programa Ponto de Encontro (Diário FM 90,9), falou, entre outras coisas, dos desafios diários de uma família com um adolescente autista.
Mônica, que possui especialização em atividades adaptadas, disse que todos os graus têm grande impacto no desenvolvimento da criança.
“Existem três níveis de suporte, o primeiro consegue se comunicar, o segundo se comunica com certa dificuldade com ajuda de terapia, e o terceiro é o não verbal”, explicou Mônica, que completou dizendo que seu filho, o pré-adolescente Anthony José, “fala, mas não conversa; são palavras soltas, começamos um diálogo, mas ele não continua”. O jovem está incluso no nível dois.
Sobre o hiperfoco, comumente associado aos autistas, a professora disse que seu filho mostra uma grande desenvoltura na natação. “Ele é autista com deficiência intelectual. Quando ele ia completar três anos, descobrimos sua habilidade na natação. Logo na primeira vez ele já estava nadando e mergulhando na piscina”, declarou.
Acerca do impacto de ter um filho especial, Mônica declarou que sofreu com o diagnóstico. “Foi um luto, o autismo nunca é leve, precisamos saber ajudar as crianças; dá vontade de protegê-lo de tudo”, relatou. Contudo, a professora atentou que é necessário preparar a criança, através de terapia, para que haja mais autonomia por parte dela. “Sabemos que as mães não são eternas”, cravou.
Por fim, Mônica relatou que após o diagnóstico do filho se afastou das salas de aula e passou a desenvolver outras atividades, e sobre seu próprio bem-estar, encontrou na corrida de rua um porto seguro. Mônica também tem uma filha mais nova, que Anthony enxerga nas crianças o uma oportunidade de mudar o mundo. “Temos que conversar com os pequenos, eles são o ponta pé da mudança. São nosso futuro”, concluiu.
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